2. Como atuamos
Os Fantásticos Frenéticos utilizam as técnicas do palhaço para interagirem junto aos pacientes de instituições psiquiátricas. Apresentam-se sempre em duplas, duas vezes por semana em encontros de duração variada. A tônica do trabalho é a busca do jogo decorrente do encontro entre o palhaço e os usuários dos serviços oferecidos por instituições que se dedicam ao tratamento de problemas psiquiátricos. Através desses encontros, tanto o palhaço quanto pacientes, criam formas de expressão que enriquecem as possibilidades de se estar no mundo.
As visitas são realizadas com frequência de dois encontros semanais e duração variada, em função da demanda de cada encontro. Há dias nos quais as visitas duram cinco horas e outros nos quais em pouco mais de uma hora já não há vitalidade nos encontros. Entendemos que a duração de nossas visitas devem ser pautadas exatamente por esse critério: a vitalidade dos encontros. Quando percebemos que nossa presença já foi incorporada pelo ritmo viciante da rotina, encerramos nossa visita.
Assim criamos a base do que viria a ser nosso método de trabalho: duas visitas semanais, realizadas por palhaços, em dias não fixos, com duração flexível, baseada na força dos encontros entre os palhaços e os pacientes.
Esses encontros buscam o reconhecimento do outro e não são baseados numa relação de espectador e ator. O jogo é o fundamento desses encontros. Os palhaços nunca submetem seus interlocutores a uma posição passiva na relação, a uma posição de público espectador, ao contrário, palhaço e pacientes, funcionários, terapeutas ou médicos atuam juntos num encontro vivo e real onde tudo pode acontecer, até mesmo o abandono da relação.
Os recursos técnicos dos palhaços – técnicas de improvisação, instrumentos musicais, gags, e técnicas corporais – estão sempre a serviço da relação e nunca em primeiro plano.
A larga experiência dos “Fantásticos Frenéticos” – palhaços integrantes dos Doutores da Alegria, do Jogando no Quintal, e com vivência no meio hospitalar brasileiro e internacional – assegura um grande arsenal de recursos que os tornam capazes de reagir de modo adequado aos reveses e surpresas que o ambiente psiquiátrico proporciona.